Conflito no Irã eleva inflação e ameaça estabilidade econômica global, alerta FMI

Guerra no Irã: Fundo estima que se conflito se prolongar, a dívida global em risco poderá registrar um aumento adicional de 4 pontos percentuais (KEN CEDENO/AFP)

A guerra no Irã está gerando uma pressão inflacionária significativa em diversas economias ao redor do mundo, conforme apontado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em seu recente relatório, o Monitor Fiscal. O documento ressalta que a situação atual não apenas reduz o espaço fiscal disponível para os países, mas também pode levar a um aumento histórico da dívida global, que já se aproxima de níveis alarmantes.

Impactos da guerra no cenário econômico global

O FMI destaca que muitos países ainda não conseguiram equilibrar seus balanços fiscais e agora enfrentam uma nova onda de pressão inflacionária, resultante da guerra no Irã. Essa situação coloca as autoridades em um dilema: proteger suas populações dos aumentos de preços ou preservar o espaço fiscal, que já é bastante limitado. As interrupções no fornecimento de energia e o endurecimento das condições financeiras, provocados pelo conflito, agravam ainda mais esse cenário.

Projeções alarmantes para a dívida global

O relatório do FMI revela que a dívida pública mundial pode atingir cerca de 94% do PIB em 2025 e, se as políticas atuais não forem alteradas, poderá ultrapassar a marca de 100% do PIB até 2029. Esse nível de endividamento não é visto desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Além disso, o FMI estima que, caso o conflito persista, a dívida global em risco poderá aumentar em até 4 pontos percentuais, refletindo a deterioração da relação dívida/PIB.

Aumento dos gastos com defesa e suas consequências

O aumento dos gastos com defesa, impulsionado por tensões geopolíticas, representa um desafio adicional para os países. O FMI observa que os déficits primários estão se tornando estruturalmente mais amplos, enquanto os mercados financeiros se tornam cada vez mais sensíveis à saúde fiscal dos Estados. Essa situação limita a capacidade dos governos de reorganizar seus balanços fiscais, aumentando o risco de uma crise de dívida.

Desafios enfrentados pelas economias emergentes

As economias emergentes, que estão mais expostas aos efeitos da guerra, enfrentam um cenário ainda mais complicado. Com colchões fiscais reduzidos e prazos de vencimento de dívida mais curtos, esses países estão em uma posição vulnerável. Os países de baixa renda, em particular, estão sob pressão intensa, com rendimentos em níveis recordes e uma diminuição nas ajudas ao desenvolvimento, o que agrava ainda mais suas dificuldades financeiras.

Recomendações do FMI para a gestão fiscal

Rodrigo Valdés, diretor de Assuntos Fiscais do FMI, enfatiza a importância de uma gestão fiscal cuidadosa neste contexto. Ele sugere que os governos devem ser seletivos em suas intervenções fiscais, direcionando recursos para grupos específicos e adotando uma abordagem temporária. Valdés alerta que um estímulo fiscal excessivo pode agravar a inflação, especialmente em um cenário de oferta restrita, como o atual, onde o fechamento do estreito de Ormuz impacta o fornecimento de hidrocarbonetos.

O FMI reforça que, embora o choque de oferta seja severo, é crucial que os governos também trabalhem para melhorar a saúde de suas dívidas públicas. A trajetória da dívida é tão preocupante quanto seu nível atual, e a necessidade de um arcabouço fiscal sólido se torna ainda mais evidente para garantir a credibilidade e conter o avanço da dívida nos próximos anos.

Em um momento em que a economia global enfrenta desafios sem precedentes, é fundamental que os países adotem uma abordagem cautelosa e estratégica para navegar por essas águas turbulentas. A situação atual no Irã não é apenas uma questão regional, mas um fator que pode influenciar a estabilidade econômica global nos próximos anos.

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