Governo dos EUA pode classificar PCC e Comando Vermelho como terroristas? Saiba mais

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A possibilidade do governo dos EUA classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas voltou a ganhar destaque às vésperas de uma possível visita do presidente Lula a Washington. Segundo informações obtidas pela correspondente da CNN Brasil em Washington, Mariana Janjácomo, o Departamento de Estado americano vê essas facções como uma 'ameaça regional', mas não confirma oficialmente a intenção de designá-las como grupos terroristas.

O governo americano já adota essa estratégia com outros grupos ligados ao tráfico de drogas na América Latina, o que concede aos EUA ferramentas adicionais de atuação, como bloqueio de recursos financeiros, impedimento de entrada de pessoas ligadas a essas organizações e possibilidade de operações militares conjuntas com forças locais.

Em maio, uma delegação americana esteve no Brasil para discutir o tema com autoridades federais e estaduais. Enquanto o governo de São Paulo demonstra apoio à ideia, o governo federal brasileiro se opõe à classificação. O tema ganhou força entre republicanos nos Estados Unidos, que pressionam pela designação das facções brasileiras como grupos terroristas.

Especialistas apontam problemas técnicos na classificação de organizações criminosas com fins econômicos como grupos terroristas. A legislação antiterrorista brasileira define como terroristas entidades que agem por motivações ideológicas, políticas ou racistas, não por interesses econômicos, como é o caso do PCC e do Comando Vermelho.

Outro problema seria a aplicação da doutrina militar em comunidades vulneráveis, onde o risco de morte de civis inocentes aumentaria consideravelmente. Militares são treinados para 'matar o inimigo e destruir o alvo', uma abordagem inadequada para áreas densamente povoadas onde criminosos e civis convivem em espaços limitados. 'Nem toda situação gravíssima é uma situação de terrorismo', alertam os analistas.

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