Tensões com Irã despertam memórias da Guerra do Golfo no Kuwait

Centro-da-cidade-do-Kuwait

Para os residentes do Golfo Pérsico, ricos em petróleo, o ataque do Irã foi inesperado e aterrorizante. Muitos estrangeiros deixaram temporariamente o país, à medida que o Irã lançava salvas de mísseis e drones, atingindo aeroportos, prédios residenciais e instalações petrolíferas.

Para o povo do pequeno Kuwait – a apenas 80 quilômetros do Irã – o conflito desperta lembranças de décadas atrás, quando o país se viu no centro da primeira Guerra do Golfo.

Na capital do Kuwait, Khalid Al-Ozaina, um vivaz pescador de 70 anos, aperta os olhos contra o sol enquanto recorda a invasão do ditador iraquiano Saddam Hussein em 2 de agosto de 1990: “Aquela foi a última vez que fomos proibidos de pescar”, diz ele.

A guerra de Saddam Hussein foi brutal, deixando impactos duradouros na sociedade e na política do Kuwait, que passou a depender tanto dos Estados Unidos quanto de seus vizinhos próximos.

Os impactos do conflito voltam a ser sentidos. Bases militares americanas permanecem estratégicas, apesar de ataques iranianos que mataram seis militares dos EUA e quatro kuwaitianos. Uma menina de 11 anos morreu atingida por estilhaços de drone.

Os pontos cruciais permanecem: o Estreito de Hormuz, a cerca de 805 km do Kuwait, e a Ilha de Kharg, no Irã, a 209 km. Com o Kuwait a apenas 80 km do Irã, instalações petrolíferas e navios na região permanecem vulneráveis.

Apesar disso, muitos kuwaitianos mostram resiliência. Khaled Al-Rashid, controlador de tráfego aéreo aposentado, observa que o país está mais protegido: “Hoje, são apenas mísseis, e a defesa aérea intercepta 98% deles”, afirma. Famílias continuam frequentando ruas, lojas e cafés, celebrando o fim do Ramadã com cautela.

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